2019 / PT - Porto
Concurso limitado por convite (não construído)
Cliente: Liga de Futebol
Autoria: Nuno Graça Moura
Colaboração: Carlos Castro
















Objectivos do concurso e características do lugar
O terreno disponível para a construção da nova sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional situa-se em Ramalde junto a uma área verde com uma linha de água. A envolvente próxima apresenta uma grande variedade de tipos de construções. A nascente, bairros habitacionais em torre de finais do século passado, a poente, logradouros de construções mais antigas e de menor escala , delimitadas por muros em granito, a norte, um banal edifício de habitação colectiva com quatro pisos e a sul um armazém/estabelecimento comercial genérico, sem especial qualidade.
Para além de albergar e ser a nova cara de uma importante instituição pública nacional, o edifício tem a função de regenerar e ordenar este lugar, composto pelas antagónicas realidades antes descritas.
Princípios gerais da intervenção
O que é a sede da LPFV ? Como deve “parecer”?
Em nosso entender, o novo edifício deve ser representativo a importância da instituição LPFP.
Nesse sentido, propomos um edifício de desenvolvimento vertical, que realça este aspecto e permite maior visibilidade a partir de outros pontos da cidade.
Tendo em conta , por um lado, que o terreno disponível tem reduzidas dimensões para o programa pretendido e , por outro, a presença forte de construção em altura na envolvente próxima, julgamos que se adequa um volume em torre. Este edifício é ladeado por dois volumes de menor escala e com forma correspondente ao seu programa (um auditório e um campo desportivo coberto). Resultam diferentes espaços abertos, que a construção em altura permite libertar : uma praça de entrada ligada à confluência das vias de acesso e um pátio ajardinado de carácter mais intimo a sul. Os espaços verdes que ladeiam o edifício surgem na continuidade natural do espaço verde a norte e dos logradouros a sul.
Os três volumes de estão unidos por uma construção parcialmente em cave e garagem em cave. O fracionamento da construção , permite o seu faseamento, conforme vontade expressa no programa de concurso.
Pretendemos uma relativa transparência física destas construções. Por um lado, é sinónimo da abertura destas instituições à sociedade, por outro permite tornar visíveis as peças do programa , em particular o campo desportivo , tema maior do conjunto.
Organização do programa
As áreas de acesso ao público situam-se nos pisos inferiores da construção, as de acesso mais reservado nos pisos superiores.
Um núcleo central com acessos verticais e serviços organiza a torre central, que alberga a sede da LPFP nos pisos superiores, o Centro de Investigação e Desenvolvimento nos pisos imediatamente em baixo. Estes pisos da torre são, dentro do possível, organizados em “open space”, sem elementos estruturais condicionadores da organização, por forma a flexibilizar a utilização.
Átrio e loja ocupam o piso térreo no prolongamento natural do espaço exterior. Pretendemos que a localização do museu seja também visível a partir do exterior. Assim, o museu situa-se no primeiro piso, voltado à praça com ligação directa ao átrio por escada autónoma de generosas dimensões e pé direito triplo (que por sua vez comunica também visualmente com o piso inferior com ligação à cafetaria). A saída do museu faz-se pela loja. Pelo exterior, um “video-wall” anuncia o museu no primeiro piso. Pode ser utilizado para transmissões de jogos fazendo do espaço público da praça um auditório aberto, que convida o público a participar do edifício.
O auditório tem também acesso directo a partir do átrio. Organiza-se em dupla altura com galeria periférica e bancadas retrácteis.
Num piso inferior localiza-se um segundo átrio que permite aceder a cafetaria/cantina aberta para uma pátio ajardinado, sala multiusos (com iluminação natural zenital por pátio inglês), nível inferior do auditório e campo desportivo também aberto para o pátio a poente. Todos estes espaços podem funcionar autonomamente, ou em conjunto, dada a sua proximidade valências.
A garagem tem acesso por uma rampa no limite norte do terreno e, pelo interior, pelos núcleos centrais de escadas e elevadores. Esta garagem , desenvolve-se em rampa com inclinação aprox. de 3,7%, o que evita rampas pelo interior.
As áreas técnicas situam-se na cobertura da torre e em cave, as restantes em espaços a distribuídos pelo edifício (a definir oportunamente).
Estrutura e materialidade
Um núcleo central em betão organiza a torre. Prevemos uma estrutura periférica em aço, que liberta o espaço interior de cada piso e permite flexibilidade de organização. As lajes terão estrutura em aço. Os pavimentos serão falsos para permitir total flexibilidade de utilização de infraestruturas. Prevemos 4m de laje a laje, para um pé-direito livre de 3m.
As fachadas serão encerradas a vidro com protecção térmica nas fachadas , transparente nas fachadas maiores e lacado nos topos.
Os restantes volumes de construção partilham o mesmo sistema construtivo. Pórticos em aço com pilares periféricos, lajes metálicas.
As áreas enterradas serão em betão armado
© Nuno Graça Moura